sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Trote não combina com Opressão

As imagens que circularam essa semana sobre os trotes nas universidades passaram do limite do respeito e da tolerância. Não podemos aceitar que em meio ao século XXI o machismo, racismo e homofobia sejam reproduzidos pelas entidades estudantis das universidades Brasil a fora.
Segundo Priscila Borges, Diretora de Mulheres da UEE “Os trotes machistas, racistas e homofóbicos precisam ser desnaturalizados, cultivou-se uma cultura de que certo tipos de “brincadeiras” ditas de “integração” são normais, e necessárias para socialização entre calouras/os e veteranas/os. Existe opressão na universidade assim como na sociedade que está fora desses muros, mas esta universidade deve ter o papel de transformar essa sociedade combatendo as desigualdades que a estruturam, e não reproduzindo as opressões. É papel hoje dos coletivos auto-organizados bem como da diretoria de mulheres da União Estadual dos Estudantes (UEE) enfrentar a violência vivida tanto física quanto psicologicamente, principalmente pelas mulheres nos trotes universitários.”
Em nota divulgada no Jornal PUC-Urgente, o Professor e Vice- Reitor Comunitário da PUC-Rio , Augusto Sampaio, fala da importância da atividade como o trote, mas sinaliza para os veteranos/as qual a real importância do trote na universidade:
“Aos veteranos cabe um acolhimento solidário, respeitoso e alegre, afinal, os calouros estão iniciando uma nova e importante etapa das suas vidas. Esse ritual merece ser comemorado. E certamente o tradicional trote é uma dessas manifestações. Queremos sugerir aos veteranos que se pautem por um comportamento ético e que respeitem o ambiente humano e natural da nossa especial paisagem universitária”.
Para Anderson Carvalho, estudante de Direito e Militante do Coletivo Enegrecer “Os trotes racista mostram o quanto a universidade ainda tem em sua raiz, o atraso em torno dos estudantes, em respeitar as diferenças, uma pratica que já vem da historia do nosso país, temos que lutar contra o racismo na universidade, ainda mais depois das cotas que democratizou o acesso, temos também a tarefa política de repudiar todos os atos dessa Natureza”.
Para que isso aconteça precisamos construir uma universidade Igualitária, esse é o papel do movimento estudantil brasileiro. A nossa luta é por uma universidade pública, gratuita e de qualidade que não tenha nenhuma forma de opressão. Precisamos lutar por uma nova cultura política na Universidade.
Fonte original do artigo: Site Trote da Cidadania